dias atrás, ouvi a gabi falando que ela não sabia mais o que escrever num blog. afinal, que tipo de conteúdo que a gente escrevia mesmo? e mesmo que a gente lembrasse que tipo de coisa a gente trazia pro blog, isso ainda fazia sentido?

e realmente, eu não sei que tipo de conteúdo trazer aqui pro blog, essa é a verdade. falar sobre as mesmas coisas que eu falava antigamente, como se o mundo não tivesse mudado, não parece ser o mais sensato. eu tentei, mas não deu.

dizem que hoje as pessoas querem conteúdo útil, aquele que ensina, agrega e transforma. nunca foi algo que me cativou. não porque eu não enxergue valor nisso, mas sim porque eu tenho essa mania de sempre querer falar com o coração, para escrever eu preciso sentir e o conteúdo relevante precisa ser pensado com a cabeça.

e é nisso que eu me perco, tiram a espontaneidade das coisas e depois exigem que você seja espontânea.

escrevo essas coisas no bloco de notas do celular, às 4:30h da madrugada. insônia não é algo frequente na minha vida, mas hoje acordei pra fazer xixi e decidi olhar o relógio. 3:33h. essa é a hora que falam que é do demônio? não sei, mas fiquei com medo e perdi o sono. eu com 32 anos, com medo de historinha de terror, é isso mesmo.

aí comecei a pensar em muitas coisas e, em plena madrugada, resolvi escrever tudo que vinha na minha cabeça. assim bem no momento da inspiração, coisa que nunca tinha feito antes.

minha mente anda bem acelerada, ultimamente.

se você olhar o post anterior a esse, eu falo que não queria trabalhar esse ano. eu tava muito desmotivada como você deve ter percebido. o início desse ano foi bem desafiador pra mim (aprendi que a gente não pode falar em dificuldades, tudo é desafio, sabe, e nunca mais consegui falar que tive problemas). e agora, em outubro, eu olho pra trás e percebo que trabalhei mais nos últimos 6 meses do que nos últimos 3 anos. a vida é uma ironia, esse foi o grande aprendizado que tive em 2020.

estou trabalhando bastante, não exatamente em volume de projeto, mas sim criando e aplicando estratégias para melhorar tudo que eu faço. e quando digo tudo, é tudo mesmo, cada detalhezinho. eu exijo muito de mim mesma. isso é fato. mas não descarto a possibilidade que trabalhar se tornou minha distração para esse ano tão esquisito.

todas as vezes que escrevi um post, o ímpeto de escrever sempre começa de uma faísca que vem e me convence de que é algo com potencial para virar um texto. e minha mente começa a criar um monte de pensamento solto tentando fazer algum sentido.

eu passo um dia todo formulando o texto na cabeça. aprimorando e memorizando para não esquecer, pois não estou registrando em lugar nenhum. bem eu que tenho péssima memória.

e o meu erro é que eu nunca consigo concluir um texto. na verdade, fazer os fragmentos de pensamento fazerem sentido já é difícil. texto precisa ter coesão e coerência. muitos pensamentos soltos. às vezes acho que estou ficando maluca. mas hoje resolvi escrever no momento da inspiração, é isso que eu queria dizer.

pronto, cheguei na parte que não sei como terminar esse texto. nenhuma grande conclusão, ensinamento, fechamento. apenas o sono. 5h da manhã, boa noite ou bom dia.

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12 comentários

  1. AvatarJuliana comentou

    Eu sou um pouco diferente em relação aos textos, eu smp que tenho uma faísca foi escrevendo sem parar e acabo finalizando o texto, mas por algum motivo eu acho que ele não está bom e ai vou fazendo modificações até que uma hora ele perde a essência inicial…
    Esses dias mesmo, fiz um texto comparando a sensação de fazer 30 anos (faço semana q vem) com a sensação de estar na numa pandemia…depois pensei: “mano eu não posso comparar 30 anos com uma pandemia” ai apaguei tudo, mesmo depois de ter mandado uma prévia pra algumas pessoas e elas terem gostado…
    Enfim, deve de ser essas coisas de auto sabotagem haha

    Adorei a volta do blog! ♡
    Tava sentido falta de textos mais descontraídos pela internet haha 🙂

    1. adriadri respondeu Juliana

      oi juliana! sabe que isso acontece comigo também, às vezes escrevo e também começo a editar os pedaços e quando vejo nem sei mais pra que eu tava escrevendo aquele texto, hahah! e às vezes é difícil mesmo diferenciar o “bom senso” da “auto-sabotagem” né? mas eu sinto que aqui nos blogs, temos mais margem para testar, fazer coisas diferentes, seguir o fluxo contrário das coisas, podemos errar mais e acho que é aí que está a graça das coisas e o antídoto para a auto-sabotagem. 🙂
      obrigada pelo apoio e carinho! fiquei feliz de ter ver aqui! 🙂

  2. AvatarCíntia comentou

    Oi, Adriely!

    Adorei o seu texto, e me identifiquei muito. Eu te sigo no instagram, e do par de blogs que eu lia, lembro do seu. Tanto que fiz uma nota mental de acessar o blog quando comentou no instagram, e cá estou. Digo isso com o risco de parecer meio stalker, haha, mas é porque eu me identifico com o conteúdo que você produz, e eu gosto muito de ler blogs no geral (mais do que mídias sociais). Sinto muita falta das pessoas que eu lia, e algumas não encontro mais por aqui.

    Muito obrigada por publicar, acho que como você disse, é uma questão de identificação com o conteúdo. Ainda há espaço para o que você faz, e pessoas que consomem dessa forma. Só precisamos encontrar uns aos outros de novo, fora do que os algoritmos nos sugerem.

    Bom final de semana!

    1. adriadri respondeu Cíntia

      oi Cíntia! muito obrigada pelo carinho e pela mensagem! 🙂 não te sinto stalker não, haha. eu acho que a conexão, identificação que o blog permite é a melhor parte disso tudo. coisa que eu nunca consegui sentir lá no Instagram, ou em qualquer outra rede social. me parece que as coisas ficaram muito limitadas, a produção de conteúdo sempre reféns dos algoritmos, sempre a preocupação com números, alcance e engajamento. por isso eu nunca me desfiz do blog, pra mim, é um porto de paz, silêncio e liberdade e fico muito feliz de saber que existem pessoas como você por aqui! beijo!

  3. AvatarKiyomi comentou

    Oi, Adrielly.
    Acho que é a primeira vez que comento aqui. Perdão nem ter comentado na época do seu blog anterior, e quando você voltou com o novo, esqueci até de comentar no primeiro post, que te descobri na época do pequenina vanilla, que estava nos links dos recomendados do Subindo no Lustre…
    Enfim, sua postagem caiu bem na hora que eu também estou numa fase em que, eu começo a ter lampejos de inspiração para uma postagem, muito do nada, e na hora que vou postar, eu acabo me perdendo toda. E quando eu estou no fio da meada, acabo mudando tudo e vejo que não ficou como eu queria.
    Blogo já fazendo 15 anos (!!!), e meu conteúdo é muito aleatório demais, não tem foco em uma coisa só. O certo era eu dividir em partes, mas eu teria que ter muita paciência para classificar mais de 1400 posts, então ficou como está até hoje. Mas eu não me preocupo em gerar conteúdo para fins de utilidade pública. Até pode ser intencionalmente, quando faço algumas resenhas de filmes e j-dramas que assisto. Ou até no meu cotidiano que pode ser estranho para outros. Sei lá se tem outras pessoas que estão lendo o meu blog, quase nem divulgo direito nas redes sociais (como Twitter e Instagram), e se o algoritmo está certo, mas eu continuo postando muita coisa aleatória mesmo, que vier na mente, ou o que acho interessante.
    Como disseram nos comentários, existirá sempre espaço para nós, basta nos encontrarmos um aos outros.
    E amei o texto, me identifiquei muito mesmo.
    Boa semana!

    1. adriadri respondeu Kiyomi

      oi kiyomi! obrigada pela mensagem e fiquei feliz de saber que você me acompanha desde a época do pequenina vanilla! 🙂 eu também sempre tive essa essência de usar o blog como expressão pessoal, e não exatamente para ganhar visibilidade ou dinheiro. não digo que querer essas coisas esteja errado, mas acredito que esse conteúdo mais descompromissado, mais livre, seja algo ainda mais valioso nos dias de hoje. indo na contramão dos algoritmos e produção de conteúdo engessada, sempre haverá espaço para nós, sem dúvidas. é o equilíbrio que o universo precisa, haha.
      beijo!!

  4. Adri, estou na mesma vibe, e após ler seu post sinto que não estou sozinha. Quero continuar escrevendo, mas estou um tanto perdida com o conteúdo, mas você me inspirou muito com essa postagem. Você me mostra que escrever é isso: algo que vem do coração, algo libertador, expressar sentimentos e deixar fluir o que quiser, é uma delícia ver um blog leve, que carrega a verdade, sabe? E vai ser assim, obrigada por me fazer também enxergar isso!

    <3

    1. adriadri respondeu Luuh Costa

      oi luuh! às vezes, se preocupar demais acaba nos travando né? sei bem como é, mas eu percebo também que escrever as coisas do jeito que eu quero, de acordo com a minha verdade, faz as coisas caminharem de uma forma mais gentil e recompensadora do que se eu estivesse tentando me moldar às regras de produção de conteúdo que vemos por aí.
      obrigada pelo carinho na mensagem! fico feliz de saber que te inspirei dessa forma! 🙂

  5. ah se a gente só transferisse esses pensamentos quase que telepaticamente né? quantos posts eu teria feito enquanto tomava banho? porque até pensando neles a gente já vai meio que escrevendo na cabeça HAHAHA o problema é justamente lembrar disso tudo na hora de colocar no “papel” e ainda fazer algum sentido né? HAHAHAHA ainda assim, continuo gostando desses posts assim, meio que pensamentos soltos que parecem não fazer sentido mas que no fundo a gente lê e meio que entende, meio que se identifica 🙂

    1. adriadri respondeu BA MORETTI

      mas menina, se os textos fossem escritos assim conforme eu fosse elaborando na cabeça, eles ficariam ainda mais sem sentido, porque as coisas dentro da minha cabeça são muito confusas, eu começo a pensar numa coisa, que puxa outra, aí lembro de outra coisa que não tem nada a ver, hahah e eu acho que a minha maior dificuldade é botar ordem nesse monte de informação.
      aí esses dias tive um “insight” de que meus textos/conteúdos são para sentir e não para entender, hahah. e é isso, sempre haverá pessoas como você que irão conseguir sentir tudo isso que eu fico tentando transmitir.
      obrigada pela mensagem! sempre fico feliz quando te vejo aqui nos comentários! 🙂

  6. AvatarEmy comentou

    Nunca um desabafo no meio da madrugada me resumiu tão bem.
    Costumo dizer que esse ano tá muito coisado, de tão estranho e assustador, que nem tem palavra suficiente para descreve-lo.

    Eu sou assim, como você. Gosto de escrever com o coração. às vezes tenho que me segurar para não sair deletando posts antigos pq dependendo do momento que releio, parece não fazer sentido nenhum, embora fizesse muito sentido no dia que escrevi.

    é meio confuso ser assim, mas é como nós somos, né? talvez por isso eu tenha me afastado do blog também, porque, por mais que eu me sinta muito bem escrevendo sobre coisas normais, às vezes fico com a pulga atrás da orelha achando que não tem relevância nenhuma.

    mas é vida que segue, rs.

    Fico muito feliz de ler isso e me sentir representada e não me sentir tão estranha assim, afinal de contas.

    bjo bjo

    1. adriadri respondeu Emy

      hahaha, sim! eu também sou assim, às vezes fico com medo de ler textos antigos e ficar com vergonha ou achar nada a ver aquilo “como eu publiquei isso”. mas faz parte, a gente muda e nem sempre as coisas que escrevemos no passado nos representam (e ainda bem né!).
      cada dia mais eu estou tentando me desfazer das amarras que o Instagram nos colocou. a gente ficou muito preso na ideia do “conteúdo relevante”, tudo precisa ser estratégico e sempre almejar o alcance e engajamento. e o blog, que sempre foi para mim um lugar para respirar, não precisa, nem deve, ficar preso nesse monte de regras, né? 🙂
      obrigada pela mensagem e pela companhia! 🙂